7.6.07

Número 218

 
 
DIA 03 DE JULHO, DIA DE Y NO Z

TEMPO PARA NAMORAR

 

Anos 50 – Ao som de Elvis Presley, José pede Maria em namoro. A moça, antes de pensar em aceitar, precisa falar com a mãe. A mãe, antes de permitir, consulta o marido. O marido, antes de mais nada, pede para conhecer o tal rapaz. José se apresenta ao pai de Maria. Sofre um interrogatório severo: se estuda ou trabalha, filho de quem é, quais são as suas intenções. Sabe das regras para freqüentar a casa – um lar de família. Para saírem juntos, apenas na companhia da tia Dulce, e olhe lá.

 

Anos 60 – Ao som dos Beatles, José pede Maria em namoro. A moça aceita e passam a se encontrar às escondidas, atrás da Igreja. Também a namorar nos recantos discretos dos salões de baile. Até que o fato, em forma de fofoca, chega aos ouvidos dos pais dela. Maria fica um mês de castigo, em casa. Durante este tempo, troca bilhetes de amor eterno com José e convence a mãe de quanto o ama. Quebrada a resistência, a mãe passa a argumentar com o marido, que enfim aceita receber José para um almoço. José pede Maria em namoro outra vez, agora oficialmente. Recebem a permissão. Mas andam sob o olhar vigilante de Mário, irmão de Maria.

 

Anos 70 – Ao som dos Jackson Five, José pede Maria em namoro. A moça aceita e José passa a buscá-la na escola, a combinar sessões de cinema e tardes no parque. Freqüentam reuniões dançantes e festas de clubes, trocando carícias nos recantos mais escuros dos salões. Quando já estão firmes, e com os rumores já ecoando nos ouvidos da família, resolvem assumir o compromisso, dando a notícia em casa. O pai dela consente, desde que não atrapalhe nos estudos: baixando as notas, o castigo será ficar em casa. E estipula meia-noite como horário limite para a menina estar em sua casa (ou José fora dela).

 

Anos 80 – Ao som do Pink Floyd, José e Maria começam a namorar. Uns dias depois, ela avisa em casa que vai para uma praia de Santa Catarina no feriadão com a turma. O pai pergunta quem mais vai. Ela cita as amigas de sempre e "mais um pessoal". José faz parte do pessoal, é claro.Todos se encontram na Estação Rodoviária. Logo depois, em um camping de Bombinhas, Maria e José dividem a barraca Brisa II. Na volta, José passa a freqüentar a casa de Maria e chamar o pai da moça de Sogrão . Terão alguns meses pela frente para que os pais se acostumem com a idéia de eles passarem o próximo verão acampando juntos. O que de fato acontece.

 

Anos 90 – Ao som do U2, José e Maria mudam da categoria "ficante fixo" para namorados. Nessas alturas, José já está cansado de freqüentar a casa da família. A diferença é que ele passa a, eventualmente, dormir lá também, para o desespero do pai. A mãe diz ao marido que eles não estão fazendo nada diferente do que os dois já fizeram. O pai diz ser essa a razão do desespero. Mas, fazer o quê? Na rua anda tudo tão perigoso... Ao menos conhecem o rapaz e Maria gosta tanto dele. José e Maria atam e desatam o namoro dezessete vezes.

 

Ano 2000 – Ao som dos Beatles, José pede Maria em namoro. Ela, antes de pensar em aceitar, precisa falar com os filhos...

 

 

TEMPO PARA NAMORAR – Trilha Nacional

 

1950 – Ao som de Elizeth Cardoso, José pede Maria em namoro. A moça, antes de pensar em aceitar, precisa falar com a mãe. A mãe, antes de permitir, consulta o marido. O marido, antes de mais nada, pede para conhecer o tal rapaz. José se apresenta ao pai de Maria. Sofre um interrogatório severo: se estuda ou trabalha, filho de quem é, quais são as suas intenções. Sabe das regras para freqüentar a casa – um lar de família. Para saírem juntos, apenas na companhia da tia Dulce, e olhe lá.

 

1960 – Ao som de Roberto Carlos, José pede Maria em namoro. A moça aceita e passam a se encontrar às escondidas, atrás da Igreja. Também a namorar nos recantos discretos dos salões de baile. Até que o fato, em forma de fofoca, chega aos ouvidos dos pais dela. Maria fica um mês de castigo, em casa. Durante este tempo, troca bilhetes de amor eterno com José e convence a mãe de quanto o ama. Quebrada a resistência, a mãe passa a argumentar com o marido, que enfim aceita receber José para um almoço. José pede Maria em namoro outra vez, agora oficialmente. Recebem a permissão. Mas andam sob o olhar vigilante de Mário, irmão de Maria.

 

1970 – Ao som de Rita Lee, José pede Maria em namoro. A moça aceita e José passa a buscá-la na escola, a combinar sessões de cinema e tardes no parque. Freqüentam reuniões dançantes e festas de clubes, trocando carícias nos recantos mais escuros dos salões. Quando já estão firmes, e com os rumores já ecoando nos ouvidos da família, resolvem assumir o compromisso, dando a notícia em casa. O pai dela consente, desde que não atrapalhe nos estudos: baixando as notas, o castigo será ficar em casa. E estipula meia-noite como horário limite para a menina estar em sua casa (ou José fora dela).

 

1980 – Ao som de Djavan, José e Maria começam a namorar. Uns dias depois, ela avisa em casa que vai para uma praia de Santa Catarina no feriadão com a turma. O pai pergunta quem mais vai. Ela cita as amigas de sempre e "mais um pessoal". José faz parte do pessoal, é claro.Todos se encontram na Estação Rodoviária. Logo depois, em um camping de Bombinhas, Maria e José dividem a barraca Brisa II. Na volta, José passa a freqüentar a casa de Maria e chamar o pai da moça de Sogrão . Terão alguns meses pela frente para que os pais se acostumem com a idéia de eles passarem o próximo verão acampando juntos. O que de fato acontece.

 

1990 – Ao som de Marisa Monte, José e Maria mudam da categoria "ficante fixo" para namorados. Nessas alturas, José já está cansado de freqüentar a casa da família. A diferença é que ele passa a, eventualmente, dormir lá também, para o desespero do pai. A mãe diz ao marido que eles não estão fazendo nada diferente do que os dois já fizeram. O pai diz ser essa a razão do desespero. Mas, fazer o quê? Na rua anda tudo tão perigoso... Ao menos conhecem o rapaz e Maria gosta tanto dele. José e Maria atam e desatam o namoro dezessete vezes.

 

2000 – Ao som do Caetano Veloso, José pede Maria em namoro. Ela, antes de pensar em aceitar, precisa falar com os filhos...

 

 

2 comentários:

Robertson disse...

Como sempre, Mr. Penz, teus textos são de uma perspicácia e de uma clareza fascinantes! Que percepção de mundo, que precisão de detalhes históricos, que evolução deliciosa ao seguir tuas palavras!

Parabéns, excelente texto.

Rubem Penz disse...

Que bondade, Beto!
Um dia chego a ser um Locutório!!!
Abraço,
Rubem

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